| |
Ipanema, bairro fundado em 1894, é um dos mais
nobres do Rio de Janeiro. Localiza-se na Zona Sul da Cidade e possui um belo
litoral. O bairro tem 50.000 habitantes e faz divisa com os bairros de
Copacabana, Leblon e Lagoa.
O período de maior adensamento do bairro se deu a partir dos anos 60, quando
houve o avanço da especulação imobiliária sobre o bairro, substituindo casas
por edifícios. Os preços dos imóveis disparam e Ipanema passa a ser um dos
bairros mais caros do Rio de Janeiro. Sinônimo de vanguarda, nos anos 60 e
70 Ipanema é palco do Tropicalismo, da Bossa-Nova, do Pasquim, do Teatro de
Ipanema, da tanga e do top-less.
O nome Ipanema significa "águas perigosas" em tupi-guarani. Os visitantes da
praia devem ter cuidado na hora de mergulhar, pois há correntezas fortes. O
Arpoador, uma das pontas de Ipanema, é um paraíso do surfe.
Ipanema figura entre os principais pontos turísticos da cidade do Rio de
Janeiro, tanto para turistas brasileiros quanto internacionais. Todo ano,
turistas lotam o tradicional bairro e sua praia.
 |
O inicio do Bairro |
 |
Historia
A restinga hoje ocupada pelos bairros de Ipanema e
Leblon já era habitada desde priscas eras. Com efeito, há provas que os
primeiros agrupamentos indígenas assentaram naquela região por volta do
século VI.
Um mapa francês de 1558 situa duas aldeias tamoias naquelas plagas,uma em
Ipanema (aldeia “Jaboracyá”) e outra no Leblon (aldeia “Kariané”). Ambas
sobreviveram aos primeiros anos da cidade, mas foram eliminadas em 1575 pelo
“Governador da Parte Sul do Brasil”, Antônio de Salema, natural de Alcácer
do Sal (152? -1586).
Desejoso daquelas terras, Salema, em seu mandato de três anos (1575-1578)
mandou colocar roupas de doentes nas matas da região, eliminando osíndios
por contágio. Na parte onde hoje está o Jardim Botânico, mandou erigir um
engenho de cana, ao qual denominou “D`El Rei”. O engenho não deu certo de
início e em 1584 foi sugerida sua venda. Quatorze anos depois, ele foi
vendido ao Vereador Diogo de Amorim Soares, vindo da Bahia (1558? -1609?),
que o rebatizou de “Engenho de Nossa Senhora da Conceição da Lagoa”. Soares,
retirando-se da cidade em 1609, revendeu as terras no ano anterior a seu
genro, Sebastião Fagundes Varela, natural de Viana do Castelo (1563- 1639),
casado com sua filha Da. Maria de Amorim Soares (1589-1676). Fagundes logo
ampliou as instalações do engenho e, para tal, cobiçou para sua empresa os
terrenos de marinha.
Os primeiros proprietários das praias da zona sul carioca, afora os índios
tamoios, foram poucos portugueses. Em 1603 Antônio Pacheco Calheiros (1569?
-1634), vereador em 1619, casado com Da. Inês de Leão, obteve enfiteuse de
terras que iam do engenho de Diogo de Amorim Soares (Lagoa) até a “costa
brava” (Leblon), correndo até a Gávea (Vidigal). Em 1606, Afonso Fernandes e
sua esposa, Da. Domingas Mendes obtiveram carta de sesmaria da câmara que
lhes davam o aforamento de “300 braças começadas a medir do Pão de Açúcar ao
longo do mar salgado para a Praia de João de Souza (Botafogo) e para o
sertão, costa brava, tudo o que houvesse”. Eram todos os terrenos de marinha
do Leme ao atual Leblon, incluindo-se aí, é claro, a futura Ipanema. Pagavam
foro de 1000 réis. Em 1609, Da. Domingas, já viúva, trespassa esse
aforamento a Martim de Sá (1575-1632), Governador do Rio de Janeiro
(1602/08, e 1623/32), filho do então ex-Governador Salvador Corrêa de Sá,
nascido em Barcelos (1542- 1631, governou em 1568/72 e 78/98) para benefício
do engenho que o mesmo possuía na Lagoa.
Esse engenho, denominado de “Nossa Senhora das Cabeças”, não foi adiante,
haja vista que Martim estava erguendo outro maior em terras que obtivera na
aldeia de “Guaraguassú Mirim” (atual Barra da Tijuca). O aforamento então
foi sendo aos poucos repassado, sucessivamente em 22 de junho de1609, das
terras que iam desde o Pão de Açúcar até a “Praia Brava” (Leblon); em 23 de
setembro de 1611 (mais terras); em 19 de julho de 1617 (para aumento de
pastos); e em 1619 ao dono do “Engenho de Nossa Senhora da Conceição da
Lagoa”, Sebastião Fagundes Varela. O aforamento era por 9 anos e tinha mais
400 braças para o sertão, permitindo a Varela explorar para pasto e extração
de madeiras para seu engenho. Varela ficou assim, aos poucos, dono de todas
as terras que iam do Humaitá ao Leblon. A extensão de suas posses abrangia
1700 braças de testada e 4.500.000 braças de área, que englobava a atual
Lagoa Rodrigo de Freitas. Os terrenos pagavam foro de 6$400 réis ao “Senado
da Câmara”. Esse latifundiário criava gado nessas praias, onde suas vacas
pastavam entre cajueiros, ananases e pitangueiras.
|